domingo, 14 de março de 2010
Grande SP tem a maior incidência de raios do Sudeste
SÃO PAULO - A preocupação com as enchentes aumenta com a chegada do verão, mas há outra razão para a população da Grande São Paulo ficar atenta com as tempestades, como a que caiu neste domingo. A região é a campeã de descargas elétricas no Sudeste do país. Na área metropolitana, ficam as 10 cidades onde a incidência de raios é maior. No topo do ranking, está São Caetano do Sul, com uma queda média de 11 raios por quilômetros quadrado. Ela é seguida por Mauá, Ferraz de Vasconcelos, Poá, Diadema e, em sexto lugar, São Paulo. Por ano, na capital paulista, caem 9.883 raios, segundo estatística do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Na capital, a zona leste é a que mais concentra as descargas atmosféricas, com média de 11 raios por quilômetro quadrado. De acordo com o pesquisador Kleber Nacarato, do Inpe, essa incidência maior é resultado da concentração de calor e poluição na região metropolitana.
- A zona leste é muito urbanizada e tem poucas áreas verdes. Tem muito concreto, asfalto e carros, o que aumenta a poluição e o calor. A massa de ar quente sobe e se encontra com o ar frio e é esse atrito que provoca a descarga elétrica. Outro detalhe é que os ventos na cidade de São Paulo sopram do oeste para o leste, arrastando as nuvens para a região - afirma Nacarato.
Pelos mesmos motivos, as zonas central e norte ficam em segundo lugar em incidência de raios, com entre 8 e 10 raios por quilômetros quadrado. Na zona oeste, esse índice cai para entre 7 e 9 raios e, na zona sul, para entre 6 e 7 raios por quilômetros quadrado.
Apenas no verão passado, duas pessoas morreram na cidade de São Paulo atingidas por raios exatamente na zona leste. O vendedor de carros José Antônio Salazar, de 43 anos, e o comprador Luciano dos Santos Trindade, morreram quando conversavam embaixo de uma árvore em uma praça no final da Rua Baquiá, na Vila Nova Manchester. Salazar falava ao celular quando um raio caiu em um poste ao lado deles. A descarga elétrica atingiu primeiro Salazar e depois Luciano. A sogra de Luciano, Maria do Carmo Brasilino, que também estava próxima deles, foi levada ao Hospital Tatuapé, onde foi medicada e recebeu alta no dia seguinte.
De acordo com o Inpe, no Brasil, ocorrem cerca de 100 mortes por ano provocadas por descargas atmosféricas, sendo 25% apenas em São Paulo.
- Mas esse índice não é confiável, porque os registros de morte não apontam o raio como causa e sim os problemas causados pelas ondas elétricas, como enfarte ou lesão dos órgãos internos. Por isso, o número de vítimas pode ser até maior - explica Nacarato.
Os pára-raios são a melhor forma de evitar acidentes, mas eles não são eficientes em áreas abertas. Por isso, os especialistas recomendam que as pessoas busquem abrigo em locais fechados. Mas os especialistas dizem que a fiscalização dos equipamentos é inexistente.
- Mesmo que esteja sol, pode haver queda de raios. Ao ouvir um trovão, a pessoa tem que se abrigar em um prédio. Não adianta correr para debaixo de uma árvore, um quiosque ou um ponto do ônibus. Os locais que são apenas cobertos podem ser atingidos pelas ondas elétricas – afirma o engenheiro elétrico Jobson Modena, do Comitê Brasileiro de Eletricidade, lembrando que há cinco anos, duas pessoas morreram em um quiosque no Parque Villa-Lobos, na zona oeste da capital, em decorrência de um raio.
E no interior do estado, a preocupação dos moradores de algumas cidades, além dos raios, são os tornados que cada vez são mais freqüentes na região.
fonte : oglobo.globo.com
Assinar:
Postar comentários (Atom)


Nenhum comentário:
Postar um comentário